quinta-feira, 7 de abril de 2011

Semana de Agroecologia em Amargosa!!

ASSOCIAÇÃO DAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO DE APOIO À ECONOMIA FAMILIAR SOLIDÁRIA DO ESTADO DA BAHIA – SISTEMA ASCOOB


DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO POPULAR COOPERATIVISTA – DECOOP


SEMANA DE AGROECOLOGIA, ECODESENVOLVIMENTO E ECOSSUSTENTABILIADDE NO VALE DO JIQUIRIÇÁ NO ESTADO DA BAHIA


MINI-CURSO: ASSOCIATIVISMO COMUNITÁRIO E COOPERATIVISMO POPULAR DA AGRICULTURA FAMILIAR E ECONOMIA SOLIDÁRIA – INSTRUMENTOS DE EMPODERAMENTO DOS AGRICULTORES FAMILIARES NO VALE DO JIQUIRIÇÁ








                             O associativismo comunitário e o cooperativismo popular, como ferramenta para o ecodesenvolvimento local, integrado, popular, sustentável e solidário no Vale do Jiquiriçá e o papel do cooperativismo de crédito / produção como elemento central e norteador no processo e fomento a cultura da cooperação e da solidariedade organizada, construindo uma outra economia ecossustentavel, tendo os agricultores e agricultoras familiares como sujeitos e sujeitas deste processo.








                             Antônio Reis O. De Jesus
                             Teólogo
                             Assessor Pedagógico
                             Educador Popular
                             Consultor Social – EDUCOOP / SISTEMA ASCOOB.




A CULTURA DA COOPERAÇÃO E DA SOLIDARIEDADE COMO PREMISSA E CAMINHO PARA O ECODESENVOLVIMENTO E A ECOSSUSTENTABILIDADE PESSOAL, FAMILIAR E SÓCIO-COMUNITÁRIA, COMO MEIO PARA A CONVIVÊNCIA E A MUDANÇA DE PARADIGMAS ENTRE OS SERES HUMANOS E UMA NOVA CONSCIÊNCIA / PRÁTICA DE SE VIVER NA CASA COMUM: GAYA!


Fundamentação sócia histórica:



Na história da humanidade, encontramos em cada tempo, em cada povo e em contextos diversificados, a luta – caminhada para que vivamos de forma mais humana, justa, fraterna e solidária. A humanidade sempre perseguiu os ideários de uma sociedade diferente, onde tivéssemos o essencial para que todos vivessem conforme seria o sonho de uma sociedade libertária, igualitária e humanitária. Essa busca / luta, sempre teve caricaturas, feições e formas sócias – organizativas e políticas concretas. Impossível pensarmos e imaginarmos uma sociedade sem formas reais e concretas de vivenciarmos nossas crenças, sonhos e projetos. Nesta direção, sempre buscamos materializar nossos projetos de uma sociedade diferente, nova e próxima de horizontes socialistas, democráticos, solidários e humanistas. Homens e mulheres, partindo dos processos de dominação política, exploração econômica e controle ideológico; foram historicamente, forjando, inventando, recriando e mudando os sistemas de vida social, política, econômica e cultural, sempre na perspectiva de almejarmos / chegarmos a essa sociedade nova / utópica. É dentro deste contexto de luta pela vida, de negação da dominação política, da exploração econômica e do controle ideológico, que nasce o MOVIMENTO COOPERATIVISTA, oriundo do seio das lutas sociais do movimento operário fabril, fruto do avanço da revolução industrial e de suas contradições, como o é a qualquer processo humano. Foi exatamente dos conflitos sociais e do fosso econômico causado pela exploração capitalista do século 17, na Europa que nasceu o movimento cooperativista moderno. Das lutas, dos embates, das conquistas e dos avanços que o movimento dos operários conquistou com certeza o cooperativismo é um dos quais podemos afirmar como sendo uma das mais importantes ferramentas de organização para a construção de uma outra sociedade. Em um mundo cada vez mais mundializado e com as economias caminhando com rapidez para processos de financeirização, não há como os agricultores e agricultoras familiares não se organizarem. Como diz o prof. Juan Antônio Giner ... “Não serão os grandes que devorarão os pequenos; serão os rápidos que comerão os lentos”... A agricultura familiar somente conseguirá impor-se enquanto projeto estratégico de sociedade se de fato tivermos construindo ferramentas, mecanismos e instrumentos apropriados, eficientes, eficazes e que com efetividade possa fazer a mesma se estruturar, inclusive no que concerne aos mercados. O grande desafio que estar colocado para a agricultura familiar neste limiar de século XXI é a construção da cultura da cooperação e da solidariedade. Urge que trabalhemos fomentar processos biossociais que nos possibilitem o despertar para as vivências de atitudes, ações, atividades, posturas e práticas pessoais, familiares e sociais que afirmem os princípios, os valores e as virtudes de UMA OUTRA SOCIEDADE, baseada em UMA OUTRA ECONOMIA e alicerçada nos valores humanos, tais como:
Ø  Solidariedade;
Ø  Fraternidade;
Ø  Igualdade;
Ø  Liberdade;
Ø  Humanidade;
Ø  Ecossustentabilidade;
Ø  Diversidade;
Ø  Pluralidade;
Ø  Participalidade;
Ø  Sociabilidade e tantos outros que poderíamos aqui elencar. Fato
que, tanto no ontem, quanto no hoje, continuamos na luta – caminhada – construção dessa OUTRA SOCIEDADE. O cooperativismo é sem sobras de dúvidas um dos caminhos encontrados pelos agricultores e agricultoras familiares para fazer a gestação social dessa nova sociedade. No contexto atual, não poderíamos fazer uso de uma ferramenta tão eficaz e forte como o cooperativismo. Nosso grande gargalo é como fomentar e trabalhar para que consigamos internalizar nas organizações, movimentos e nas lideranças sociais e populares, essa cultura da cooperação e da solidariedade de forma mais orgânica, calcada em pilares de gestão compartilhada, tendo na ética social o seu principal sustentáculo.

Conceituações Gerais

Cooperar deriva etimologicamente da palavra latina ‘cooperari’, formada por “cum” (com) e “operari” (trabalhar), e significa agir, simultaneamente ou coletivamente, com outros e outras para um mesmo fim, ou seja, trabalhar em comum para o êxito de um mesmo propósito. É exatamente este sentido de operar em conjunto, trabalhar coletivamente, agir de forma cooperativa e solidária que precisamos resgatar recuperar e ressuscitar nas organizações, nos movimentos e nas lideranças sociais e populares de forma geral para que o associativismo comunitário e o cooperativismo popular possam criar raízes e fincar-se nos corações, nas consciências e nos espíritos humanos e das instituições. Derivado disso pode-se dizer que cooperação é o método de ação pelo qual pessoas, famílias, grupos e comunidades, com interesses comuns, constituem um empreendimento cooperativo. Neste, os direitos de todos são iguais e os resultados alcançados são repartidos entre seus membros de forma proporcional às atividades exercidas na organização cooperativada.
Cooperativismo é o movimento planetário, com objetivo de constituir uma sociedade justa, livre e fraterna, em bases democráticas, através de empreendimento à altura das necessidades reais dos cooperantes e com remuneração adequada a cada um deles. Poderíamos ainda definir cooperativismo como sendo também uma DOUTRINA (Pensamento), um sistema de idéias, um movimento ou simplesmente uma atitude e ou disposição considerando as cooperativas como uma forma ideal de organização das atividades sócio-econômicas da humanidade. Juntando tudo isso, podemos afirmar que cooperativas são sociedades civis, formadas por pessoas com interesses comuns, organizadas democraticamente, de naturezas jurídicas próprias, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos seus cooperados e ao entorno social onde estão inseridas. Quem participa de uma sociedade cooperativada, é denominado de cooperado, que é o trabalhador ou trabalhadora rural (agricultor / agricultora familiar), ou também urbano, profissional de um ramo sócio-econômico-financeiro; associado a uma COOPERATIVA, na qual participa ativamente, assumindo responsabilidades, direitos e deveres inerentes à sua condição de sócio-proprietário e à instituição cooperativada.

Princípios, Valores e Virtudes do Movimento Cooperativista Internacional

O movimento cooperativista construiu seus pilares sob a égide dos mais sagrados fundamentos das lutas emnacipatórias, libertárias e humanitárias, oriundas dos movimentos fabris do final do século XVI e todo do século XVII na Europa; sacudida por fortes ventos de luta de libertação do proletariado. Na composição do movimento cooperativista não tínhamos apenas os socialistas. Encontramos dentro do seio do mesmo, os comunistas, o anarquista-socialistas, os anarquista-cristãos, os anarquista-puros, os socais-democratas, os liberais... No decorrer do tempo, os princípios, os valores e as virtudes foram tomando formas e maneiras que refletiam as disputas, as correntes e os diversos pensamentos políticos existentes. O que se segue é, portanto, os consensos que historicamente foram construídos, levando em consideração os diversos contextos onde o movimento cooperativista fincou suas raízes.


Fundamentos Básicos da Ação Cooperativada

Esses fundamentos foram constituídos tendo por base um programa comum às diversas sociedades, movimentos e organizações existentes, com suas diversas vinculações ideológicas políticas e socais e econômicas. A depender dos laços e das ligações, vamos encontrar essa ou aquela coloração. Entretanto, os pioneiros, conseguiram constituir uma plataforma comum de ação unitária, sob a qual estabeleceram o nascimento desse importante movimento.A seguir, os 4 pilares e os 7 princípios planetários do movimento cooperativista. Acrescentamos também, virtudes, valores e elementos da ética cooperativista. Trazemos para o debate os elementos estratégicos do movimento cooperativista da agricultura familiar e economia solidária do Brasil, pós-fundação da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária.

1). As sociedades cooperativadas, são práticas da doutrina cooperativista mundial;
2). Sem o exercício permanente dos princípios, valores e virtudes doutrinários cooperativistas, não existem sociedades cooperativadas;
3). A consciência / vivência dos princípios doutrinários do cooperativismo educa o associado / cooperado e o capacita para viver em grupo;
4). O cooperativismo visa basicamente o desenvolvimento integral do ser humano e em conseqüência o resgate da sua cidadania.

Princípios Filosóficos do Movimento Cooperativista

Ø  Adesão livre e voluntária;
Ø  Gestão democrática pelos membros;
Ø  Participação econômica dos membros;
Ø  Autonomia e independência;
Ø  Educação, formação e informação;
Ø  Intercooperação;
Ø  Interesse pela comunidade.

Virtudes do Movimento Cooperativista

1-   Viver melhor;
2-   Pagar sempre em dinheiro;
3-   Poupar sem sofrimento;
4-   Suprimir os pessimistas;
5-   Combater os vícios que estraga as pessoas;
6-   Integrar mulheres e os jovens nas questões sociais e econômicas da cooperativa e das localidades;
7-   Educar economicamente o povo;
8-   Facilitar a todos os acesso à propriedade;
9-   Reconstruir a propriedade coletiva;
10-                
Estabelecer o preço justo e solidário;
Eliminar o lucro capitalista;
11-               Abolir os conflitos;
12-               Construir a solidariedade social e econômica.

Valores do Movimento Cooperativista

Ø  Solidariedade;
Ø  Fraternidade;
Ø  Igualdade;
Ø  Liberdade;
Ø  Participalidade;
Ø  Sociabilidade;
Ø  Democracia;
Ø  Cooperação;
Ø  Honestidade;
Ø  Responsabilidade;
Ø  Mutualidade;
Ø  Liberdade Social;
Ø  Humanidade.

Elementos da Ética Cooperativista

Ø  Solidariedade;
Ø  Ecumenicidade;
Ø  Responsabilidade;
Ø  Criatividade;
Ø  Honestidade;
Ø  Mutualidade;
Ø  Participação.

Princípios do Movimento Cooperativista da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Brasil:

Ø  Participação democrática, ativa e efetiva;
Ø  Gestão social e autogestão das cooperativas;
Ø  Participação ativa de jovens e mulheres;
Ø  Descentralização das estruturas, com equilíbrio entre crescimento das estruturas e das pessoas;
Ø  Estruturas pequenas e fortes, integradas por meio de REDES LOCAIS de cooperativas;
Ø  Organização com base nas pessoas e não no patrimônio financeiro;
Ø  Democratização do acesso a terra, à propriedade e aos direitos sociais básicos como saúde, educação, infra-estrutura, crédito e outros;
Ø  Desenvolvimento como articulação das dinâmicas locais, favorecendo as potencialidades dos espaços e geoambientalmente equilibrados;
Ø  Educação e divulgação dos Princípios cooperativistas.


Atitudes Educativas – Organizativas dos Militantes Cooperativistas:

Ø  Educar-se para aprender a apreender permanentemente;
Ø  Coerência entre o discurso e a prática;
Ø  Envolvimento com as famílias, os grupos e as comunidades;
Ø  Solidariedade com os mais pobres e excluídos;
Ø  Construção de uma sociedade ecossustentavel;
Ø  Empreendedorismo familiar, solidário e popular;
Ø  Vivencia democrática;
Ø  Humanização das pessoas e das relações sociais.

Vantagens do Movimento Cooperativista

1-   O autofinanciamento e empoderamento econômico-financeiro-social e político da agricultura familiar;
2-   Diminuição da exclusão social;
3-   Uma organização auto-sustentável;
4-   Interatividade para com o ecodesenvolvimento local;
5-   Agente de mobilização social;
6-   Acesso ao crédito e à mercados de articulado-organizados;
7-   Autonomia e liberdade dos associados / cooperados com o seu próprio negócio;
8-   Administração feita pelos próprios agricultores familiares;
9-   Acesso às políticas públicas (municipais, territoriais, estaduais e nacionais);
10-Participação dos cooperados nos destinos / rumos da organização cooperativada;
11-Reforço da nano, micro e pequena economia local, municipais, territoriais;
12-Recuperação do tecido social, sobretudo de populações sociohistoricamente marginalizadas...

Eixos Estratégicos de Atuação Educativo-Organizativo do Cooperativismo da Agricultura Familiar e Economia Solidária:

    - Educar para aprender a aprender permanentemente;
    - Coerência entre o discurso e a prática, sobretudo das lideranças;
    - Envolvimento com as comunidades, associações, grupos de produção de base;
    - Solidariedade orgânica, social, política e econômica;
    - Ecossustentabilidade;
    - (Empreendedorismo popular, sobretudo a nano, micro e a pequenas economias locais);
    - Gestão compartilhada;
    - Cultura da Cooperação e da Solidariedade;
    - Reconstruir as identidades sociais;
    - Fortalecimento da Agricultura Familiar, com enfoque agroecológico;
    - Resgate dos Valores sócio-culturais das comunidades;
    - Priorizar a formação de núcleos cooperativistas de base, com destaque / enfoque para as mulheres e a juventude, como atores e atrizes emergentes desse novo processo sócio-educativo-organizativo e agroprodutivos locais, municipais, territoriais. Sem a participação efetiva e ativa da juventude e das mulheres, não teremos de fato,a consolidação da agricultura familiar e consequentemente dessa outra economia e muito menos de uma outra sociedade.

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