U m grande desafio sociopolítico, socioeconômico e sociocultural para a agricultura familiar e economia
solidaria – Como inserir jovens e mulheres nos processos de empreendedorismo socioeconômico e
produtivo no Vale do Gavião e Serra Geral da Bahia: apontamentos para provocação socioeducativa e
sociorganizativa para construção de referenciais teórico-metodologicos de uma: EDUCAÇÃO PARA A
ECOSSUSTENTABILIDADE, o EMPREENDEDORISMO SOLIDARIO e para a CULTURA da COOPERAÇÃO e
da SOLIDARIEDADE, com enfoque contextualizado para JOVENS e MULHERES em um mundo rural em
mudanças!!
As transformações econômico-financeiras, produzidas pelas revoluções nas informações e tecnológicas,
juntamente com o processo da chamada globalização; ocasionaram profundas mudanças comportamentais nas
relações sociais entre as pessoas e suas sociedades. Estas mudanças afetaram também as organizações sociais e
seus empreendimentos, pois alem das questões meramente econômico-financeiras, agora mais do que nunca
precisam PENSAR alem de outros conteúdos emergentes, mas, sobretudo em novas formas e maneiras de se
trabalhar com o que os especialistas convencionaram chamara de socioorganizacao, neste caso com um enfoque
especial para a JUVENTUDE e a MULHER RURAIS. Para o associativismo comunitário e o cooperativismo solidário
da agricultura familiar e economia solidaria, isso não e diferente. Este segmento social carece de ferramentas,
instrumentos e mecanismos sociometodologicos que considerem e trabalhem com estas categorias sociais
emergentes. Neste caso especificamente, a agricultura familiar e seus atores e atrizes, urgem considerar a questão
da cadeia sucessória já que os jovens e as mulheres, em muitos casos não se enquadram na realidade agrícola, mas
participam de uma serie de atividades não agrícolas em um mundo rural em profundas e abismais transformações,
não se podendo enfrentar estas com as leituras e os aplicativos teórico-metodologicos convencionais. E mister,
que, todas as organizações, instituições e atores parceiros do chamado terceiro setor, enfrentam hoje um grande
desafio – como agregar jovens e mulheres em suas fileiras, aproveitando suas potencialidades, vocacionalidades,
especificidades, necessidades e sobretudo, suas imaterialidades, em particular no campo das manifestações e
expressões socioculturais, puxando para a dimensão socioprodutiva. Para enfrentar este dilema social emergente,
a REDE das COOPERATIVAS e ASSOCIACOES da AGRICULTURA FAMILIAR e ECONOMIA SOLIDARIA do Vale do
Gavião e Serra Geral, vem dando desde a sua origem uma especial atenção ao engajamento de jovens nas direções
das associações e das cooperativas, como forma pratica de inserção e inclusão dos mesmos nos processos de
socioorganizacao. O ponto alto deste investimento foi no I SEMINARIO de COOPERATIVISMO, AGROECOLOGIA e
MEIO AMBIENTE que aconteceu em agosto do ano passado com a presença maciça dos agricultores e agricultoras
familiares e seus principais atores e trizes e parceiros estratégicos; com destaque especial para a participação
massiva de jovens e mulheres, ávidos de oportunidades outras e inovadoras para que possam desenvolver suas
capacidades, suas habilidades e potencialidades, contribuindo assim para o desenvolvimento local, integrado,
sustentável e solidário das comunidades e dos municípios onde vivem, amam, trabalham, dançam, cantam,
brincam e sobretudo, não querem sair, pois ali nasceram e ali querem viver e constituir famílias, reatando a teia da
vida na e da agricultura familiar, fortalecendo assim o capital humano e social, as redes das economias locais,
territoriais, produzindo qualidade de vida para todos e todas, contribuindo assim para a construção da paz social. A
REDE CECAFES através de seus empreendimentos rurais, associações e cooperativas, têm clareza da urgente
necessidade de desenvolvermos um trabalho especifico e com uma metodologia diferenciada para contribuir com
a inserção socioeconômica de jovens e mulheres rurais, desenvolvendo as habilidades empreendedoras, gerando
trabalho e renda, agregando poder econômico e social as suas famílias. A REDE CECAFES, também tem clareza de
que, o empreendedorismo necessário para esta categoria social precisa ser apropriado, contextualizado e
construindo pelos atores e atrizes emergentes da e na agricultura familiar e economia solidaria. Para tanto,
considerando o apoio fundamental e importante que o FIDA INVESTIU e, em funcao disso esta REDE se CONSTITIU
e ainda estando em processo de ESTRUTURACAO, queremos discutir e debater com esta conceituada
ORGANIZACAO uma PROPOSTA INOVADORA, CRIATIVA e CRIADORA de INSERCAO e INCLUSAO SOCIOECONOMICA-
PRODUTIVA-MERCADOLOGICA e HUMANO SOCIAL de JOVENS e MULHERES da AGRICULTURA FAMILIAR e
ECONOMIA SOLIDARIA no Vale do Gavião e Serra Geral do Estado da Bahia; tornando assim em um referencial de
empreendedorismo solidário da agricultura familiar e economia solidaria. Poucas instituições, órgãos e organismos
estatais e não estatais hoje na Bahia e no Nordeste do Brasil, enfrentam esta questão com o rigor teórico-
metodologico e a sedução imaterial necessária para trazer este segmento estratégico da agricultura familiar e
economia solidaria. A REDE CECAFES, com esta provocação pertinentissima, deseja com o apoio financeiro, técnico
e operacional do FIDA,desencadear um amplo processo de educação e formação qualificada, casando as finanças
de proximidade, o associativismo comunitário, o cooperativismo solidário, a produção contextualizada;
desenvolvendo uma metodologia empreendedora juvenil e feminina apropriada, criando assim um outro marco
socioeducativo na economia solidaria e na agricultura familiar.
Para a REDE CECAFES, bem como para outras organizações da agricultura familiar e economia solidaria da Bahia e
do Nordeste do Brasil, o momento e de construção, com criatividade, inventividade social, responsabilidade
socioambiental e inclusão socioeconômica; quebrarmos paradigmas e acentuarmos NOVAS METODOLOGIAS na
linha do vem escrevendo, pensando e fazendo Ricardo Abramovay, Eric Sachs, Amartya Shen, Fernando Dolabela e
tantos intelectuais comprometidos com um outro jeito de fazer desenvolvimento, considerando todas as
dimensões dos capitais existentes. Entendemos que para atingirmos estas e outras metas, a grande ferramenta, o
grande instrumento e a grande estrada e pela educação contextualizada que considere e trabalhe as dimensões do
SER, do FAZER, do TER, do PODER, numa perspectiva onde os atores e atrizes inseridos no processo possam SER
PARTE, FAZER PARTE e TOMAR PARTE, vivenciando com suas praticas, saberes e sabores aquilo que e a essência do
cooperativismo, do associativismo e do empreendedorismo social e solidário. Nesta direção, estratégico se faz
pensarmos e executarmos uma Educação Empreendedora. Avaliar as possibilidades e as potencialidades da
construção de uma Pedagogia - Metodologia de Projetos Socioeconomicos, cujo Protagonismo Juvenil e Feminino
Rural seriam a principal mola mestra e que, seriam literalmente confeccionados partindo das nanos e micro
realidades socioeconômicas, socioculturais e socioambientais existentes nas diversas localidades onde residem
situacionalmente com suas famílias sob condições adversas e muitas vezes explorados como Mao de obra barata
para diversos setores e interesses econômico-financeiros espúrios.
As transformações do capitalismo têm levado alguns autores a afirmarem que a economia, na segunda metade do
século XX, passou de um modelo de produção industrial taylorista/fordista para outro assentado na informação, o
modelo toyotista, trazendo com isso diversas implicações sociais e educativas (PINHEIRO; PINHO, 2002, p. 25). Isso
requer e exige das instituições e organizações estatais e não estatais a formulação estratégica para
desenvolvimento de competências e habilidades apropriadas para a devida qualificação tecno-profissional,
humana e de cidadania desta imensa massa juvenil que no momento atual ainda se encontra fora do alcance de
nossas ações e atividades, todavia, como um grande arsenal para a consolidação de um amplo e promissor
mercado para a agricultura familiar e economia solidaria do Vale do Gavião e Serra Geral. Com as ações afirmativas
e inclusivas desenvolvidas pelos Governo Federal e Estadual, sentimos a necessidade de formulações estratégicas
que possibilitem a instrumentalização teórica, técnica e metodológica, possibilitando a essa massa juvenil e
feminina uma prospecção enquanto protagonistas de uma outra vida para eles e para os seus familiares, inserido-
os nas diversas ações e atividades econômico-produtivas e financeiras, oxigenando as economias municipais,
microrregionais, territoriais, contribuindo assim para o fortalecimento da macroeconomia estadual e nacional.
Entendemos, compreendemos e sobretudo vivemos e sentimos na nossa pele as diversas dimensões, os variados
ramos e as enormes formas inovadoras que poderíamos desenvolver se, para isso, tivéssemos o capital técnico-
profissional e financeiro disponíveis para a trabalharmos essa massa de capital humano ainda desassistidas do seu
próprio SER GENTE com todas as suas capacidades, habilidades e competências inerentes a aqueles e aquelas que
tem oportunidades e igualdades de condições para se desenvolverem como pessoas humanas. Para fechar,
abrindo para o grande debate-discussao desta provocação, queremos lembrar aqui o que nos fala o prof. Sergio
Boissier, no livro El Desarrollo Territorial a partir de La Construccion de Capital Sinergico, Chille, 2000: “A
compreensão do papel fundamental das dimensões intangíveis do desenvolvimento – a alegria, a confiança, a
beleza, o cuidado, a solidariedade, a participação, a identidade – possibilitam entender a importância dos
esforços institucionais dirigidos ao” combate à pobreza”.O paradigma instrumental do desenvolvimento
obscurece as concepções dos governantes e dos “ especialistas orgânicos” quanto à essencialidade qualitativa
do desenvolvimento, por se apoiarem em ações de ordem preponderantemente quantitativas – muitas delas
absurdas e perigosas em suas conseqüências.” Portanto, considerando os elementos acima expostos.
Considerando as necessidades e as potencialidades dos atores e atrizes que TECEM a REDE CECAFES, suas
associações, cooperativas e empreendimentos. Considerando sobretudo o papel sociohistorico que as massas
juvenis, em particular as mulheres tiveram nas emancipações dos povos e, considerando ainda a capacidade
institucional e o papel que o FIDA desempenhou juntamente com a CAR-SEDIR na operacionalização do projeto
GAVIAO do qual somos fruto que agora esta articulando uma TRANSICAO para outro patamar educativo-
organizativo-produtivo e mercadológico e, de forma especial, os convites recentes para que pudéssemos
PARTICIPAR dos dois COLOQUIOS INTERNACIONAIS sobre o papel e a importância estratégica da juventude rural
nos processos de desenvolvimento sustentável, e que, fazemos esta provocação para JUNTOS numa PARCERIA
SOLIDA, SUSTENTAVEL e ARTICULADA no conteúdo e na forma, tanto político-pedagogica quanto institucional,
possamos OUSAR na CONSTRUCAO de uma pedagogia – metodologia de projetos socioprodutivos, casando o
empreendedorismo solidário e o protagonismo juvenil e feminino, EMANCIPANDO homens e mulheres que seu
trabalho e dedicação constroem esta microrregião e território, este estado e este pais. O desafio-proposta esta
posto e colocado para o FIDA. Da nossa parte, estamos como sempre estivemos, abertos ao novo e numa
perspectiva de construção coletiva do conhecimento, pois somente juntos de forma cooperativada e solidaria
conseguiremos transformar nossos sonhos em realidade, produzindo vida para todos e todas.
Reis Oliveira
Assessor Pedagogico,Ecoambientalista
Ecoeducador Popular e Consultor Social.
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