terça-feira, 5 de abril de 2011

EDUCACAO : Desafio-Perspectiva para a Ecossustentabilidade, a Cooperacao...

U
m grande desafio sociopolítico, socioeconômico e sociocultural para a agricultura familiar e economia solidaria – Como inserir jovens e mulheres nos processos de empreendedorismo socioeconômico e produtivo no Vale do Gavião e Serra Geral da Bahia: apontamentos para provocação socioeducativa e sociorganizativa para construção de referenciais teórico-metodologicos de uma: EDUCAÇÃO PARA A ECOSSUSTENTABILIDADE, o EMPREENDEDORISMO SOLIDARIO e para a CULTURA da COOPERAÇÃO e da SOLIDARIEDADE, com enfoque contextualizado para JOVENS e MULHERES em um mundo rural em mudanças!!

As transformações econômico-financeiras, produzidas pelas revoluções nas informações e tecnológicas, juntamente com o processo da chamada globalização; ocasionaram profundas mudanças comportamentais nas relações sociais entre as pessoas e suas sociedades. Estas mudanças afetaram também as organizações sociais e seus empreendimentos, pois alem das questões meramente econômico-financeiras, agora mais do que nunca precisam PENSAR alem de outros conteúdos emergentes, mas, sobretudo em novas formas e maneiras de se trabalhar com o que os especialistas convencionaram chamara de socioorganizacao, neste caso com um enfoque especial para a JUVENTUDE e a MULHER RURAIS. Para o associativismo comunitário e o cooperativismo solidário da agricultura familiar e economia solidaria, isso não e diferente. Este segmento social carece de ferramentas, instrumentos e mecanismos sociometodologicos que considerem e trabalhem com estas categorias sociais emergentes. Neste caso especificamente, a agricultura familiar e seus atores e atrizes, urgem considerar a questão da cadeia sucessória já que os jovens e as mulheres, em muitos casos não se enquadram na realidade agrícola, mas participam de uma serie de atividades não agrícolas em um mundo rural em profundas e abismais transformações, não se podendo enfrentar estas com as leituras e os aplicativos teórico-metodologicos convencionais. E mister, que, todas as organizações, instituições e atores parceiros do chamado terceiro setor, enfrentam hoje um grande desafio – como agregar jovens e mulheres em suas fileiras, aproveitando suas potencialidades, vocacionalidades, especificidades, necessidades e sobretudo, suas imaterialidades, em particular no campo das manifestações e expressões socioculturais, puxando para a dimensão socioprodutiva. Para enfrentar este dilema social emergente, a REDE das COOPERATIVAS e ASSOCIACOES da AGRICULTURA FAMILIAR e ECONOMIA SOLIDARIA do Vale do Gavião e Serra Geral, vem dando desde a sua origem uma especial atenção ao engajamento de jovens nas direções das associações e das cooperativas, como forma pratica de inserção e inclusão dos mesmos nos processos de socioorganizacao. O ponto alto deste investimento foi no I SEMINARIO de COOPERATIVISMO, AGROECOLOGIA e MEIO AMBIENTE que aconteceu em agosto do ano passado com a presença maciça dos agricultores e agricultoras familiares e seus principais atores e trizes e parceiros estratégicos; com destaque especial para a participação massiva de jovens e mulheres, ávidos de oportunidades outras e inovadoras para que possam desenvolver suas capacidades, suas habilidades e potencialidades, contribuindo assim para o desenvolvimento local, integrado, sustentável e solidário das comunidades e dos municípios onde vivem, amam, trabalham, dançam, cantam, brincam e sobretudo, não querem sair, pois ali nasceram e ali querem viver e constituir famílias, reatando a teia da vida na e da agricultura familiar, fortalecendo assim o capital humano e social, as redes das economias locais, territoriais, produzindo qualidade de vida para todos e todas, contribuindo assim para a construção da paz social. A REDE CECAFES através de seus empreendimentos rurais, associações e cooperativas, têm clareza da urgente necessidade de desenvolvermos um trabalho especifico e com uma metodologia diferenciada para contribuir com a inserção socioeconômica de jovens e mulheres rurais, desenvolvendo as habilidades empreendedoras, gerando trabalho e renda, agregando poder econômico e social as suas famílias. A REDE CECAFES, também tem clareza de que, o empreendedorismo necessário para esta categoria social precisa ser apropriado, contextualizado e construindo pelos atores e atrizes emergentes da e na agricultura familiar e economia solidaria. Para tanto, considerando o apoio fundamental e importante que o FIDA INVESTIU e, em funcao disso esta REDE se CONSTITIU e ainda estando  em processo de ESTRUTURACAO, queremos discutir e debater com esta conceituada ORGANIZACAO uma PROPOSTA INOVADORA, CRIATIVA e CRIADORA de INSERCAO e INCLUSAO SOCIOECONOMICA-PRODUTIVA-MERCADOLOGICA e HUMANO SOCIAL de JOVENS e MULHERES da AGRICULTURA FAMILIAR e ECONOMIA SOLIDARIA no Vale do Gavião e Serra Geral do Estado da Bahia; tornando assim em um referencial de empreendedorismo solidário da agricultura familiar e economia solidaria. Poucas instituições, órgãos e organismos estatais e não estatais hoje na Bahia e no Nordeste do Brasil, enfrentam esta questão com o rigor teórico-metodologico e a sedução imaterial necessária para trazer este segmento estratégico da agricultura familiar e economia solidaria. A REDE CECAFES, com esta provocação pertinentissima, deseja com o apoio financeiro, técnico e operacional do FIDA,desencadear um amplo processo de educação e formação qualificada, casando as finanças de proximidade, o associativismo comunitário, o cooperativismo solidário, a produção contextualizada; desenvolvendo uma metodologia empreendedora juvenil e feminina apropriada, criando assim um outro marco socioeducativo na economia solidaria e na agricultura familiar.
Para a REDE CECAFES, bem como para outras organizações da agricultura familiar e economia solidaria da Bahia e do Nordeste do Brasil, o momento e de construção, com criatividade, inventividade social, responsabilidade socioambiental e inclusão socioeconômica; quebrarmos paradigmas e acentuarmos NOVAS METODOLOGIAS na linha do vem escrevendo, pensando e fazendo Ricardo Abramovay, Eric Sachs, Amartya Shen, Fernando Dolabela e tantos intelectuais comprometidos com um outro jeito de fazer desenvolvimento, considerando todas as dimensões dos capitais existentes. Entendemos que para atingirmos estas e outras metas, a grande ferramenta, o grande instrumento e a grande estrada e pela educação contextualizada que considere e trabalhe as dimensões do SER, do FAZER, do TER, do PODER, numa perspectiva onde os atores e atrizes inseridos no processo possam SER PARTE, FAZER PARTE e TOMAR PARTE, vivenciando com suas praticas, saberes e sabores aquilo que e a essência do cooperativismo, do associativismo e do empreendedorismo social e solidário. Nesta direção, estratégico se faz pensarmos e executarmos uma Educação Empreendedora.  Avaliar as possibilidades e as potencialidades da construção de uma Pedagogia - Metodologia de Projetos Socioeconomicos, cujo Protagonismo Juvenil e Feminino Rural seriam a principal mola mestra e que, seriam literalmente confeccionados partindo das nanos e micro realidades socioeconômicas, socioculturais e socioambientais existentes nas diversas localidades onde residem situacionalmente com suas famílias sob condições adversas e muitas vezes explorados como Mao de obra barata para diversos setores e interesses econômico-financeiros espúrios.
As transformações do capitalismo têm levado alguns autores a afirmarem que a economia, na segunda metade do século XX, passou de um modelo de produção industrial taylorista/fordista para outro assentado na informação, o modelo toyotista, trazendo com isso diversas implicações sociais e educativas (PINHEIRO; PINHO, 2002, p. 25). Isso requer e exige das instituições e organizações estatais e não estatais a formulação estratégica para desenvolvimento de competências e habilidades apropriadas para a devida qualificação tecno-profissional, humana e de cidadania desta imensa massa juvenil que no momento atual ainda se encontra fora do alcance de nossas ações e atividades, todavia, como um grande arsenal para a consolidação de um amplo e promissor mercado para a agricultura familiar e economia solidaria do Vale do Gavião e Serra Geral. Com as ações afirmativas e inclusivas desenvolvidas pelos Governo Federal e Estadual, sentimos a necessidade de formulações estratégicas que possibilitem a instrumentalização teórica, técnica e metodológica, possibilitando a essa massa juvenil e feminina uma prospecção enquanto protagonistas de uma outra vida para eles e para os seus familiares, inserido-os nas diversas ações e atividades econômico-produtivas e financeiras, oxigenando as economias municipais, microrregionais, territoriais, contribuindo assim para o fortalecimento da macroeconomia estadual e nacional.
Entendemos, compreendemos e sobretudo vivemos e sentimos na nossa pele as diversas dimensões, os variados ramos e as enormes formas inovadoras que poderíamos desenvolver se, para isso, tivéssemos o capital técnico-profissional e financeiro disponíveis para a trabalharmos essa massa de capital humano ainda desassistidas do seu próprio SER GENTE com todas as suas capacidades, habilidades e competências inerentes a aqueles e aquelas que tem oportunidades e igualdades de condições para se desenvolverem como pessoas humanas. Para fechar, abrindo para o grande debate-discussao desta provocação, queremos lembrar aqui o que nos fala o prof. Sergio Boissier, no livro El Desarrollo Territorial a partir de La Construccion de Capital Sinergico, Chille, 2000: “A compreensão do papel fundamental das dimensões intangíveis do desenvolvimento – a alegria, a confiança, a beleza, o cuidado, a solidariedade, a participação, a identidade – possibilitam entender a importância dos esforços institucionais dirigidos ao” combate à pobreza”.O paradigma instrumental do desenvolvimento obscurece as concepções dos governantes e dos “ especialistas orgânicos” quanto à essencialidade qualitativa do desenvolvimento, por se apoiarem em ações de ordem preponderantemente quantitativas – muitas delas absurdas e perigosas em suas conseqüências.” Portanto, considerando os elementos acima expostos. Considerando as necessidades e as potencialidades dos atores e atrizes que TECEM a REDE CECAFES, suas associações, cooperativas e empreendimentos. Considerando sobretudo o papel sociohistorico que as massas juvenis, em particular as mulheres tiveram nas emancipações dos povos e, considerando ainda a capacidade institucional e o papel que o FIDA desempenhou juntamente com a CAR-SEDIR na operacionalização do projeto GAVIAO do qual somos fruto que agora esta articulando uma TRANSICAO para outro patamar educativo-organizativo-produtivo e mercadológico e, de forma especial, os convites recentes para que pudéssemos PARTICIPAR dos dois COLOQUIOS INTERNACIONAIS sobre o papel e a importância estratégica da juventude rural nos processos de desenvolvimento sustentável, e que, fazemos esta provocação para JUNTOS numa PARCERIA SOLIDA, SUSTENTAVEL e ARTICULADA no conteúdo e na forma, tanto político-pedagogica quanto institucional, possamos OUSAR na CONSTRUCAO de uma pedagogia – metodologia de projetos socioprodutivos, casando o empreendedorismo solidário e o protagonismo juvenil e feminino, EMANCIPANDO homens e mulheres que seu trabalho e dedicação constroem esta microrregião e território, este estado e este pais. O desafio-proposta esta posto e colocado para o FIDA. Da nossa parte, estamos como sempre estivemos, abertos ao novo e numa perspectiva de construção coletiva do conhecimento, pois somente juntos de forma cooperativada e solidaria conseguiremos transformar nossos sonhos em realidade, produzindo vida para todos e todas.
Reis Oliveira
Assessoria Pedagogica
Ecoeducador Popular
Consultor Social.

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