A EDUCAÇÃO DA MULHER E O DESENVOLVIMENTO SOCIOECONOMICO
Diva Benevides Pinho
A revolução silenciosa, em andamento na maior parte dos países ocidentais, reflete o aumento dos anos de estudo de mulheres jovens e adultas, sobretudo em cursos superiores? A TV, a mídia e, agora, a Internet - que papéis estão desempenhando?
As conseqüências do aumento da escolaridade das mulheres, embora não quantificadas estatisticamente, são visíveis no crescimento da produção, na redução do número de filhos e na melhora geral, tanto da saúde e nutrição das famílias, como do aprendizado das crianças, e da qualidade de vida e de trabalho das próprias mulheres.
Os dados estatísticos do Population Reference Bureau, a respeito da porcentagem de mulheres em relação à população universitária masculina, de 1990 a 1993, mostram 124% de mulheres universitárias na América do Norte (Canadá e EUA), 112% na Europa, 105 na Oceania, 101% na América Latina e Caribe, 55% na Ásia, e 43% na África.
Nos EUA, Europa e Oceania é bem maior a presença de mulheres em universidades, em comparação com universitários-homens. Na América Latina e Caribe, a diferença reduz-se. Mas na Ásia e África a distância é muito desfavorável às mulheres. Em nível mundial, entretanto, a porcentagem, no mesmo período, era de cerca de 60% de mulheres em relação a 40% da população universitária masculina.
Há consenso internacional, atualmente, no sentido de se considerar que a educação da mulher é a mais importante mola propulsora de mudanças sociais, o mais rentável investimento educacional que uma nação pode fazer. É também o caminho de sua emancipação e de sua autonomia.
Por quê? Porque as mulheres atuam como importantes agentes do progresso social ao desempenhar papéis de cidadãs, trabalhadoras e mães.
Entretanto, como os papéis sociais das mulheres, e também os dos homens, estão relacionados a seus papéis na família, é muito importante conhecer-se o atual modelo de família predominante nos países.
Assim, por exemplo, nos centros urbanos do Mundo Ocidental, está sendo superado o tradicional modelo de família em que a mulher é a dona de casa, cuida dos filhos, da alimentação, dos trabalhos domésticos, enquanto o homem tem a função de prover recursos para a manutenção do lar.
De acordo com informações do US Bureau of Labor Statistics, apenas 9,4% de trabalhadores norte-americanos provêm das chamadas “famílias tradicionais”. Cerca de 50% provêm de casais em que os dois trabalham fora – porcentagem que tende a aumentar (cf. The Family and the Workplace, http://www.sloan.org./family/)
Outros fatores também estão contribuindo para a mudança da estrutura do lar e da família, tais como o aumento dos casais divorciados e das mulheres chefes-do-lar sem a corresponsabilidade de um companheiro, além do fato de que a maternidade está sendo postergada, em geral para o fim da década dos trinta anos, quando a mulher já conseguiu se afirmar profissionalmente.
E assim, a gradual mudança estrutural da família está trazendo profundas mudanças na própria sociedade. O mercado já vem atendendo a essas sinalizações com a apresentação, por exemplo, de eletrodomésticos menores, “inteligentes”, cujos chips cada vez mais facilitam o trabalho doméstico. E de alimentos prontos e semi-prontos, em embalagens individuais, que dispensam o tempo de preparo, sem contar as longas escolhas em feiras e supermercados.
Há necessidade, entretanto, de mudanças organizatórias mais profundas, tanto no lar quanto nos locais de trabalho, para atender a demanda atual dos casais que trabalham o dia inteiro fora de casa, bem como das mulheres e homens divorciados ou separados, que assumiram a responsabilidade de cuidar dos filhos. Ou mesmo de pessoas jovens, adultas e idosas que vivem sozinhas. Ou seja:
· infra-estrutura, sobretudo nos centros urbanos – crèches, transporte escolar, cursos de 10. e 20. graus em tempo integral;
· novos programas educacionais que enfoquem o novo modelo de família e de lar, bem como a nova divisão de trabalho dos casais, ambos provedores das necessidades do lar
· reeducação, sobretudo das mulheres jovens e adultas, para a nova cultura de igualdade do gênero e de seus papéis sociais na emergente Sociedade da Informação, que já está estimulando o aumento do trabalho das mulheres-mães (e de outros segmentos sociais devido à facilidade de teletrabalho, de pequenos SOHOs ou pequenos escritórios na própria casa, com um computador, modem, telefone, impressora e fax).
A mulher-mãe tem sido a principal transmissora dos papéis, funções, comportamento e perfis que identificam a mulher e o homem nos grupos sociais.
De fato, historicamente as mulheres-mães têm atuado como as principais guardiãs das diferenças socialmente construídas e culturalmente especificadas para mulheres e homens, independentemente das características sexuais, que são determinadas biologicamente desde o momento da concepção.
As mulheres-mães têm consciência de que têm agido
como fiéis depositárias da herança cultural da sociedade patriarcal?
Estão convencidas dessa superioridade,
estão simplesmente acomodadas
ou temem reações?
Estas são algumas questões que merecem reflexão dos estudiosos dos problemas de igualdade profissional do gênero.
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